O melhor jogo do ano
que você não vai jogar...
Um
dos grandes lançamentos desse final de vida do PS3, Puppeteer
ataca em cheio aqueles nostálgicos pelos jogos de plataforma 2D da
década de 90 com uma pegada completamente nova, como se fossemos
grandes espectadores de um grande e impressionante teatro infantil.
Uma mistura diferente que funcionou muito bem, mesmo com pequenos
defeitos aqui e acolá.
A história do jogo,
visualmente e sonoramente contada
O
mundo de Puppeteer é uma grande peça de teatro, com direito
a plateia que reage as situações do jogo e tudo, que conta a
história de como o Rei Urso da Lua roubou a pedra da Lua,
tomando assim o lugar da Deusa da Lua como governante geral da
Lua e atribuindo a cada um dos seus doze generais um pedaço da Lua
para vigiar. Cada pedaço da lua equivale a um ato do jogo (são 7 no
total) e cada um deles possuem três cenas (tirando o último ato que
possui quatro cenas) e em cada uma delas o narrador atua explicando
como os acontecimentos geraram o cenário em questão.
Para
aumentar seu poder, o Rei Urso da Lua se alimenta das almas
das crianças da Terra, que são raptadas e transformadas em pequenas
formas de monstros depois que tem suas almas e cabeças retiradas.
Salvo pela Bruxa da Lua e seu gato Ying Yang de ter sua
alma roubada, Kutaro parte em uma grande busca para salvar não só a
Deusa da Lua, como todas as almas de crianças que foram
capturadas, restaurar o equilíbrio de poderes da Lua e recuperar sua
cabeça perdida.
Tirando
Kutaro, todos os personagens do jogo interagem entre si e com
a plateia, dando ainda mais uma aquele sentimento de que você está
assistindo uma grande peça. E tirando certas partes da história que
são cantadas, todo o jogo é dublado em português do Brasil. E é
dublado de uma forma acima da média de outros trabalhos recentes em
games, onde é visível que cada ator se esforçou para dar vida a
aquele personagem, com um destaque em especial para a Pikarina,
uma das sidekicks do jogo, que funciona como a ponte entre a peça, o
jogo, e a plateia, os jogadores.
Mas
nada disso funcionaria se o cenário característico de uma peça de
teatro não fosse implementada, e fico feliz por dizer que o Japan
Studio acertou na mão em transmitir a ideia de uma peça de
teatro, seja nos visuais estonteantes que simulam com perfeição
texturas de tecido, papel e madeira, como na transição da fase, em
que os visuais podem estar evoluindo, mas nunca perdemos a sensação
de que tudo ocorre em um grande palco.
Além
dos gráficos impressionantes, Puppeteer nos agracia com uma
trilha sonora de primeira qualidade, onde cada trecho de fase é
perfeitamente transmitido na sua música específica. Dou destaque
para a música do cenário 3 do 4º ato, em que você está em uma
característica cidade mexicana e a música em questão consegue
transportar a sensação de estar em uma. Vale a pena perder quarenta
minutos do seu dia para apreciá-la, seu amigo aqui já disponibiliza
o link para ouvi-la. ;)
Um jogo de plataforma 2D bem feito e jogado...
Por
causa do seu visual que remete a LittleBigPlanet, muitos
pensavam que Puppeteer compartilharia do mesmo gameplay
quebrado e impreciso do seu primo distante. Mas a boa notícia é que
o gameplay dele é muito bom, com controles preciso de salto e de
quase todas as suas habilidades especiais.
Podemos
dividi-lo em três partes: A tesoura sagrada Calibrus, As cabeças
dos quatro cavaleiros lendários da Deusa da Lua e o controle de um
sidekick, onde cada uma delas é distinta da outra.
Calibrus
serve como o ataque principal de Kutaro, podendo retalhar não só os
inimigos, como pedaços de papéis, panos e linhas que servem para
ele avançar por certos caminhos; As cabeças dos cavaleiros
lendários (Um poderoso escudo que reflete tudo, mas que tem que ser
recarregado quando recebe muitos golpes, uma bomba ninja, um arpão
de pirata e a super força de um luchador) são power-ups que Kutaro
pode usar para resolver puzzles ou derrotar certos inimigos; Os
sidekicks servem para descobrir coisas que estão escondidas no
cenário, principalmente para serem usados com as cabeças que são
conseguidas.
Falando
delas, infelizmente, elas não são uma parte tão importante quanto
os trailers apontavam. Além de servir como o medidor de energia de
Kutaro, três cabeças equivalem a três pedaços de energia, se
perder todas e não conseguir as recuperar a tempo você morre, elas
servem apenas como extra, como abrir fases bônus ou conseguir atalhos
durante a fase. Para quem esperava ver um Kid Chameleon 2 nele, vai
ficar aquela ponta de frustração.
Além
das cabeças que servem como medidor de energia, o jogador também
terá que ir pegando fragmentos da pedra da Lua que forem aparecendo
pelo cenário, que funcionariam como as moedas douradas de Mario, ao
conseguir 100 fragmentos você recebe uma vida por isso. Por ser um
jogo voltado para o público infantil, não é difícil conseguir
muitas vidas pelas cenas de cada ato, mas isso não implica na
dificuldade do jogo, que está bem balanceada para que qualquer um
possa aproveitar sem sofrer muito.
... Que não impede de ter seus problemas
Além
do problema das cabeças com pouca função, também encontrei um
pequeno problema que acaba prejudicando um pouco a experiência de
jogo. Puppeteer é um jogo pensado para ser jogado com duas
pessoas, só que, caso você queria jogar sozinho, terá que
controlar o sidekick em questão com o seu analógico direito. O
problema é que você acaba tendo que parar sempre para visualizar a
fase e buscar aquele ponto em que a cabeça que você tem armazenada
é mais útil e em algumas fases isso é praticamente impossível,
visto o ritmo frenético que é imposto nela.
Um
problema, agora de planejamento dele, foi o de lançamento. Quando
disse no título que ele era 'o melhor jogo que você não vai jogar'
não era por causa de seus defeitos. São dois pequenos problemas que
vão acabar afastando os jogadores nesse início de vida dele: Para
aqueles que realmente se incomodam com a temática infantil e só
acham que games com temáticas mais adultas que são os melhores,
Puppeteer vai ser o último jogo que eles vão querer colocar
a mão. Principalmente pelo fato do último jogo que eles colocaram
um hype muito grande e que possuía as mesmas características não
foi aquilo que eles esperavam. E o segundo problema de planejamento
foi que, por mais que a Sony tenha se esforçado para colocar ele a
um preço acessível, decidir lançá-lo uma semana antes de GTA V
só fez ele ser mais jogado para escanteio como primeiro jogo que
você pensa em comprar atualmente, principalmente para as crianças
que querem se achar mais adultas jogando o novo capítulo do game da
Rockstar. Talvez o adiamento dele para 2014, com o final de
vida do PS3 em voga, Puppeteer pudesse ser melhor
apreciado por todos.
Concluindo
Puppeteer
pode ter seus defeitos e nem ser candidato a game do ano, mas sua
história cativante e contada de uma forma totalmente nova, dublagem
excepcional, gameplay clássico 2D com pequenas inovações e
gráficos e músicas marcantes fazem desse jogo um pequeno clássico
dessa geração que está no fim. E que, devido as suas qualidades de
nicho, podem fazê-lo ficar escondido para toda uma comunidade, o que
seria uma pena visto sua qualidade.
Nota: 8,8
Puppeteer é um jogo
do Japan Studios, exclusivo para PS3 e que está sendo vendido desde
o dia 10/09 pelo preço de R$ 119,00.
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