sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Puratinando #04 - Puppeteer

O melhor jogo do ano que você não vai jogar...




Um dos grandes lançamentos desse final de vida do PS3, Puppeteer ataca em cheio aqueles nostálgicos pelos jogos de plataforma 2D da década de 90 com uma pegada completamente nova, como se fossemos grandes espectadores de um grande e impressionante teatro infantil. Uma mistura diferente que funcionou muito bem, mesmo com pequenos defeitos aqui e acolá.


A história do jogo, visualmente e sonoramente contada



O mundo de Puppeteer é uma grande peça de teatro, com direito a plateia que reage as situações do jogo e tudo, que conta a história de como o Rei Urso da Lua roubou a pedra da Lua, tomando assim o lugar da Deusa da Lua como governante geral da Lua e atribuindo a cada um dos seus doze generais um pedaço da Lua para vigiar. Cada pedaço da lua equivale a um ato do jogo (são 7 no total) e cada um deles possuem três cenas (tirando o último ato que possui quatro cenas) e em cada uma delas o narrador atua explicando como os acontecimentos geraram o cenário em questão.



Para aumentar seu poder, o Rei Urso da Lua se alimenta das almas das crianças da Terra, que são raptadas e transformadas em pequenas formas de monstros depois que tem suas almas e cabeças retiradas. Salvo pela Bruxa da Lua e seu gato Ying Yang de ter sua alma roubada, Kutaro parte em uma grande busca para salvar não só a Deusa da Lua, como todas as almas de crianças que foram capturadas, restaurar o equilíbrio de poderes da Lua e recuperar sua cabeça perdida.



Tirando Kutaro, todos os personagens do jogo interagem entre si e com a plateia, dando ainda mais uma aquele sentimento de que você está assistindo uma grande peça. E tirando certas partes da história que são cantadas, todo o jogo é dublado em português do Brasil. E é dublado de uma forma acima da média de outros trabalhos recentes em games, onde é visível que cada ator se esforçou para dar vida a aquele personagem, com um destaque em especial para a Pikarina, uma das sidekicks do jogo, que funciona como a ponte entre a peça, o jogo, e a plateia, os jogadores.

Mas nada disso funcionaria se o cenário característico de uma peça de teatro não fosse implementada, e fico feliz por dizer que o Japan Studio acertou na mão em transmitir a ideia de uma peça de teatro, seja nos visuais estonteantes que simulam com perfeição texturas de tecido, papel e madeira, como na transição da fase, em que os visuais podem estar evoluindo, mas nunca perdemos a sensação de que tudo ocorre em um grande palco.



Além dos gráficos impressionantes, Puppeteer nos agracia com uma trilha sonora de primeira qualidade, onde cada trecho de fase é perfeitamente transmitido na sua música específica. Dou destaque para a música do cenário 3 do 4º ato, em que você está em uma característica cidade mexicana e a música em questão consegue transportar a sensação de estar em uma. Vale a pena perder quarenta minutos do seu dia para apreciá-la, seu amigo aqui já disponibiliza o link para ouvi-la. ;)




Um jogo de plataforma 2D bem feito e jogado...


Por causa do seu visual que remete a LittleBigPlanet, muitos pensavam que Puppeteer compartilharia do mesmo gameplay quebrado e impreciso do seu primo distante. Mas a boa notícia é que o gameplay dele é muito bom, com controles preciso de salto e de quase todas as suas habilidades especiais.


Podemos dividi-lo em três partes: A tesoura sagrada Calibrus, As cabeças dos quatro cavaleiros lendários da Deusa da Lua e o controle de um sidekick, onde cada uma delas é distinta da outra.
Calibrus serve como o ataque principal de Kutaro, podendo retalhar não só os inimigos, como pedaços de papéis, panos e linhas que servem para ele avançar por certos caminhos; As cabeças dos cavaleiros lendários (Um poderoso escudo que reflete tudo, mas que tem que ser recarregado quando recebe muitos golpes, uma bomba ninja, um arpão de pirata e a super força de um luchador) são power-ups que Kutaro pode usar para resolver puzzles ou derrotar certos inimigos; Os sidekicks servem para descobrir coisas que estão escondidas no cenário, principalmente para serem usados com as cabeças que são conseguidas.



Falando delas, infelizmente, elas não são uma parte tão importante quanto os trailers apontavam. Além de servir como o medidor de energia de Kutaro, três cabeças equivalem a três pedaços de energia, se perder todas e não conseguir as recuperar a tempo você morre, elas servem apenas como extra, como abrir fases bônus ou conseguir atalhos durante a fase. Para quem esperava ver um Kid Chameleon 2 nele, vai ficar aquela ponta de frustração.

Além das cabeças que servem como medidor de energia, o jogador também terá que ir pegando fragmentos da pedra da Lua que forem aparecendo pelo cenário, que funcionariam como as moedas douradas de Mario, ao conseguir 100 fragmentos você recebe uma vida por isso. Por ser um jogo voltado para o público infantil, não é difícil conseguir muitas vidas pelas cenas de cada ato, mas isso não implica na dificuldade do jogo, que está bem balanceada para que qualquer um possa aproveitar sem sofrer muito.


... Que não impede de ter seus problemas



Além do problema das cabeças com pouca função, também encontrei um pequeno problema que acaba prejudicando um pouco a experiência de jogo. Puppeteer é um jogo pensado para ser jogado com duas pessoas, só que, caso você queria jogar sozinho, terá que controlar o sidekick em questão com o seu analógico direito. O problema é que você acaba tendo que parar sempre para visualizar a fase e buscar aquele ponto em que a cabeça que você tem armazenada é mais útil e em algumas fases isso é praticamente impossível, visto o ritmo frenético que é imposto nela.



Um problema, agora de planejamento dele, foi o de lançamento. Quando disse no título que ele era 'o melhor jogo que você não vai jogar' não era por causa de seus defeitos. São dois pequenos problemas que vão acabar afastando os jogadores nesse início de vida dele: Para aqueles que realmente se incomodam com a temática infantil e só acham que games com temáticas mais adultas que são os melhores, Puppeteer vai ser o último jogo que eles vão querer colocar a mão. Principalmente pelo fato do último jogo que eles colocaram um hype muito grande e que possuía as mesmas características não foi aquilo que eles esperavam. E o segundo problema de planejamento foi que, por mais que a Sony tenha se esforçado para colocar ele a um preço acessível, decidir lançá-lo uma semana antes de GTA V só fez ele ser mais jogado para escanteio como primeiro jogo que você pensa em comprar atualmente, principalmente para as crianças que querem se achar mais adultas jogando o novo capítulo do game da Rockstar. Talvez o adiamento dele para 2014, com o final de vida do PS3 em voga, Puppeteer pudesse ser melhor apreciado por todos.


Concluindo 


Puppeteer pode ter seus defeitos e nem ser candidato a game do ano, mas sua história cativante e contada de uma forma totalmente nova, dublagem excepcional, gameplay clássico 2D com pequenas inovações e gráficos e músicas marcantes fazem desse jogo um pequeno clássico dessa geração que está no fim. E que, devido as suas qualidades de nicho, podem fazê-lo ficar escondido para toda uma comunidade, o que seria uma pena visto sua qualidade.




Nota: 8,8


Puppeteer é um jogo do Japan Studios, exclusivo para PS3 e que está sendo vendido desde o dia 10/09 pelo preço de R$ 119,00.

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